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28 janeiro 2009

Ausência

Certo dia percorria a mesma avenida que diariamente usava para atravessar a cidade e senti falta de alguma coisa na paisagem. Ao volante, tendo que prestar atenção a todos os movimentos do trânsito, não tive tempo para analisar com mais cuidado o que estava faltando por ali. Passei, mas aquela sensação crescia dentro de mim, causando uma angústia que com o passar do dia foi ficando insuportável. No final da tarde, mesmo já estando a caminho de casa, resolvi voltar pelo mesmo caminho e tentar identificar o que estava faltando por lá. Iria me valer do trânsito reduzido, porque naquele horário os carros se amontoavam em sentido contrário. E lá fui eu. Ao me aproximar do local, comecei a reduzir a velocidade em busca da sensação que tomou conta de mim no início da manhã. Não demorou muito e lá veio ela: pesada, angustiante, quase concreta. Estacionei o carro em uma parada de ônibus que me deixava de frente para aquela sensação que, apesar de ainda ser algo abstrato, me impedia de continuar. Estava ali, de frente para o nada, com o sol já a caminho do horizonte, quando finalmente identifiquei o que me angustiara desde cedo: a sensação de ausência gerada pelo corte de uma árvore de grandes proporções que sempre existira naquele local e que nunca havia merecido objetivamente minha atenção.

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